Um conjunto construído para maltear cevada
O complexo conhecido como The malteria foi desenvolvido para transformar cevada em malte. A ficha destaca a sobrevivência de edifícios de malteação, pisos de germinação, fornos e estruturas auxiliares que permitem compreender a sequência de trabalho.
O princípio era distribuir a cevada umedecida em grandes pisos, onde a germinação podia ser acompanhada e controlada manualmente. Depois de atingir o estágio desejado, o grão seguia para os fornos, onde o calor interrompia o processo e reduzia a umidade para armazenamento e uso industrial.
Pisos de germinação
Os pisos largos e relativamente livres de obstáculos eram essenciais porque o grão precisava ser espalhado em camadas. A germinação gerava calor e exigia revolvimento regular para evitar que determinadas áreas avançassem mais rapidamente do que outras.
Esse método dependia de espaço e trabalho manual. A ficha compara o conjunto com sistemas mecanizados posteriores, como o Saladin, que procuravam controlar germinação e movimentação do grão com menor dependência do revolvimento manual.
Os fornos de secagem
Depois da germinação, o malte seguia para fornos destinados a retirar umidade e interromper o crescimento. A circulação do ar aquecido era parte essencial do processo. O edifício precisava conduzir esse ar através do leito de grãos e permitir que a umidade saísse de maneira uniforme.
Edifícios, equipamentos e alterações
O conjunto conserva diferentes fases de construção e adaptação. A sobrevivência dos pisos de germinação é especialmente importante porque esse tipo de processo desapareceu quase completamente com a mecanização da indústria de malte.
Mesmo quando partes do equipamento foram modificadas ou retiradas, a organização dos edifícios ainda mostra a relação entre recebimento de cevada, germinação, secagem e armazenamento. Em vez de um único galpão, a malteria funcionava como uma sequência de espaços especializados.
Por que o processo pode ser lido no próprio prédio
Em instalações industriais mais recentes, muitas etapas são encerradas dentro de máquinas. Em Mittagong, a arquitetura era parte do processo: o piso servia diretamente à germinação e o forno determinava a secagem. Essa integração torna o conjunto uma demonstração física de uma técnica de produção que dependia tanto do edifício quanto dos equipamentos.
Como a instalação foi organizada
Os dois primeiros edifícios de malteação foram construídos entre 1898 e 1916. O Malthouse 1, o mais antigo, ficava no lado sul do conjunto. O Malthouse 2, concluído entre 1905 e 1907, foi posteriormente reconstruído após incêndio. Um terceiro edifício foi erguido no lado oposto do Nattai Creek.
Estruturas auxiliares incluíam grandes depósitos de cevada com armação de madeira e revestimento de chapa metálica, além de uma casa ligada à empresa. O córrego era atravessado por uma pequena ponte ferroviária e por outra passagem destinada a pedestres e veículos.
O equipamento do primeiro malthouse
Quando a Malting Company of NSW instalou-se em Mittagong, o primeiro edifício possuía um piso de cevada, máquinas de classificação e limpeza, dois tanques de maceração, dois pisos de germinação e dois fornos. Um novo desvio ferroviário foi construído ao mesmo tempo para conectar a fábrica à rede.
Tooth & Co. e a expansão da produção
Os primeiros anos foram financeiramente lentos. Em 1905, Tooth & Co. assumiu o empreendimento e imediatamente iniciou uma expansão. O Malthouse 2 entrou em produção em 1907 e o Malthouse 3 foi aberto em 1916.
O crescimento acompanhava a expansão da própria cervejaria Tooth. O malte de Mittagong abastecia suas fábricas em Sydney e, nos anos 1940, o conjunto produzia aproximadamente 200 mil bushels por ano.
Incêndios, reconstruções e a escolha pelo piso tradicional
Um grande incêndio em 1942 destruiu o Malthouse 2 e danificou o Malthouse 1. O primeiro edifício voltou a trabalhar em 1943 com uma solução provisória interna, enquanto o segundo foi totalmente reconstruído no início da década de 1950.
Durante essa reconstrução foi considerada a substituição do processo de germinação em piso pelo sistema mecânico Saladin. A mudança, porém, não foi adotada. O conjunto continuou usando o método tradicional, mais dependente de trabalho manual, até o fechamento em 1980.
O processo descrito na própria ficha
A cevada era primeiro embebida em água. Depois seguia para os pisos de germinação, onde era revolvida para controlar a temperatura, idealmente entre 13 e 16 °C. Quando o ponto desejado era atingido, o grão era seco em forno, limpo e ensacado para transporte.
Essa descrição torna a arquitetura fácil de entender: tanques, pisos e fornos não eram espaços genéricos, mas etapas sucessivas de um único processo.