Uma central hidráulica para o cais
Na década de 1870, as autoridades decidiram concentrar em Bullock Island — depois Carrington — um sistema público de carregamento de carvão. A solução escolhida utilizava guindastes hidráulicos montados sobre bases de alvenaria e alimentados por uma casa de máquinas central.
O projeto contou com equipamentos fornecidos por Sir W. G. Armstrong & Co. . A primeira etapa da Hydraulic Engine House foi concluída entre 1877 e 1878.
Casa de máquinas, caldeiras e acumuladores
O edifício possui uma sala central de máquinas, duas torres de acumuladores e casas de caldeiras laterais. A estrutura monumental de tijolos e pedra abrigava as bombas responsáveis por produzir água sob pressão.
Os acumuladores armazenavam essa pressão e ajudavam a atender os movimentos intermitentes dos guindastes no cais.
Crane Bases 7, 8, 9 e 10
As bases dos guindastes são estruturas maciças de concreto revestido com tijolo. Elas faziam parte do cais conhecido como The Dyke , onde os guindastes Armstrong movimentavam carvão.
Expansão e eletrificação
Em 1890-1891, a casa de máquinas recebeu uma nova casa de caldeiras e uma terceira máquina de bombeamento. Um edifício auxiliar passou a gerar eletricidade para substituir a iluminação a gás.
Mais tarde, guindastes elétricos começaram a entrar em operação e partes da geração hidráulica foram substituídas por equipamentos elétricos. Ao longo do século XX, os guindastes hidráulicos foram progressivamente retirados.
Um sistema portuário distribuído
O conjunto mostra uma forma antiga de distribuir potência: uma central produzia pressão e uma rede hidráulica levava essa energia até máquinas espalhadas pelo cais. A casa de máquinas e as bases remanescentes permitem entender esse sistema mesmo depois da retirada dos guindastes.
A primeira etapa do sistema de Bullock Island
A primeira fase do complexo foi concluída em 1877–1878. Ela reunia a parte inicial da Engine House, quatro guindastes hidráulicos e os primeiros conjuntos de linhas ferroviárias. A central possuía duas máquinas de bombeamento, duas torres de acumuladores e uma casa de caldeiras.
O sistema foi instalado para concentrar o carregamento de carvão no porto. Os guindastes recebiam água sob pressão produzida na Engine House e utilizavam essa força para levantar os recipientes de carvão dos vagões e posicioná-los sobre os porões dos navios.
Pressão de 800 psi
Os acumuladores desenvolviam cerca de 800 psi para atender os picos de içamento. A água seguia por tubulações de ferro de grande diâmetro sob os cais e depois por linhas menores até cada guindaste. Tanques dentro da casa de máquinas permitiam reaproveitar a água.
Os mecanismos eram descritos na época como suficientemente simples para serem operados “por uma criança”.
Como o carvão passava do vagão ao navio
Os vagões chegavam por uma ramificação da Great Northern Railway. Inicialmente, cavalos levavam vagões individuais até os guindastes; depois essa função passou para cabrestantes hidráulicos, equipamentos elétricos e, mais tarde, tratores.
Correntes eram presas aos recipientes removíveis de carvão. O guindaste erguia o recipiente, girava sobre o porão e a carga era liberada por portas no fundo. A ficha registra que um ciclo completo podia ocorrer em menos de dois minutos.
Bases, caixões e guindastes Armstrong
Os quatro primeiros guindastes foram instalados sobre bases quadradas de concreto revestidas de tijolo, apoiadas em caixões de ferro afundados cerca de 40 pés no leito do rio. Lotes posteriores adotaram bases cilíndricas.
Os guindastes giravam 360 graus sobre um grande mancal central. O movimento vinha de cilindros hidráulicos acionados pela água sob pressão. A lança era fixa; a elevação e a descida do recipiente dependiam do sistema de correntes e roldanas.
Expansão em 1891
Uma segunda casa de caldeiras foi construída em 1891 para receber caldeiras Babcock & Wilcox e uma terceira máquina de bombeamento. No mesmo período surgiu a Auxiliary Engine House, com máquinas Westinghouse e dínamos para iluminação elétrica, substituindo as antigas luzes a gás.
Guindastes móveis e eletrificação
Entre 1903 e 1907 foram acrescentados novos guindastes hidráulicos Armstrong montados sobre trilhos, capazes de pequenos deslocamentos com motores elétricos. Entre 1915 e 1917, novos cais receberam guindastes elétricos Cowans, Sheldon & Co., e uma subestação passou a integrar o sistema.
Do sistema hidráulico aos carregadores por correia
A partir da década de 1930, os guindastes hidráulicos começaram a ser retirados progressivamente. O Newstan coal loader entrou em operação em 1958 e, entre 1964 e 1967, o Basin Coal Loader substituiu o antigo conjunto de guindastes.
O último carvão foi carregado pelos guindastes hidráulicos móveis em 1967. Mesmo com a retirada de grande parte das máquinas internas, permanecem bases, trechos de tubulação, fundações e elementos das torres de acumuladores capazes de mostrar a lógica do sistema anterior às correias transportadoras.
Uma infraestrutura ampliada conforme crescia o porto
A primeira etapa entrou em operação entre 1877 e 1878, mas a instalação não permaneceu estática. O aumento da movimentação de carvão exigiu novas caldeiras, outra máquina de bombeamento e expansão da capacidade hidráulica.
Em 1891 foi construída uma segunda casa de caldeiras. A mesma fase incluiu mudanças destinadas a ampliar a geração e a iluminação do complexo. Décadas depois, guindastes elétricos começaram a substituir parte dos equipamentos hidráulicos, mostrando a transição de uma rede central de água pressurizada para acionamentos elétricos locais.
Mesmo com a retirada dos guindastes originais, a casa de máquinas, as torres de acumuladores e as bases preservadas permitem reconstruir o funcionamento do sistema portuário. A instalação registrou fisicamente a passagem de uma tecnologia de potência para outra.