ENERGIA EXTRA
Água e barragens

Cordeaux Dam: galerias de inspeção, Ring Faulkner e vertedouro

A Cordeaux Dam manteve a lógica de uma barragem de gravidade em alvenaria ciclópica, mas incorporou juntas de contração, galerias internas e vários níveis de descarga.

Uma evolução em relação às barragens anteriores

A Cordeaux Dam foi construída com grandes blocos de arenito envolvidos por concreto. Na face de montante foi usado concreto com agregado de basalto, enquanto a massa interna recebeu agregado de arenito.

A parede é curva em planta e termina, no lado sul, em um grande vertedouro lateral. O projeto foi concluído em 1926 e incorporou recursos que não apareciam da mesma forma em obras anteriores do sistema.

Paredes, pilonos e casas de válvulas

As extremidades da barragem são marcadas por grandes pilonos de inspiração egípcia, com colunas ornamentais. As casas de válvulas também receberam linguagem semelhante, com paredes inclinadas, molduras circulares nos cantos e beirais salientes.

Esses edifícios não são elementos decorativos isolados: abrigam as saídas e os mecanismos responsáveis por controlar as descargas do reservatório.

Saídas em diferentes níveis

A saída superior inclui duas linhas de aproximadamente 48 polegadas, associadas a válvulas de controle e válvulas-gaveta Ring Faulkner.

Na base, outras casas de válvulas contêm tubulações de aproximadamente 36 polegadas, também ligadas a dispositivos Ring Faulkner e válvulas de limpeza. Essa disposição oferece diferentes caminhos para controlar a água armazenada.


Juntas de contração

Uma das melhorias registradas na ficha é a presença de juntas de contração entre unidades de construção, espaçadas em intervalos de cerca de 27,4 metros.

Em uma massa tão grande, variações térmicas e retração precisam ser previstas. As juntas criam pontos definidos para acomodar parte desses movimentos, em vez de deixar a estrutura fissurar de maneira aleatória.

Galerias de inspeção dentro da parede

A barragem possui galerias de inspeção em níveis superior e inferior. Essas passagens permitem acessar o interior da estrutura e observar condições que não seriam visíveis apenas pelas faces externas.

Tubulações instaladas nas galerias permitiam registrar pressão de água subterrânea. A própria barragem foi, portanto, construída com meios para acompanhar seu comportamento depois de entrar em serviço.

Vertedouro lateral

O vertedouro é continuação da extremidade sul da parede e conduz para jusante o excesso de água do reservatório.

Como em Cataract, ele representa a rota destinada a grandes volumes, enquanto as saídas com válvulas fazem o controle cotidiano. As duas funções coexistem dentro do mesmo sistema hidráulico.


Escala do reservatório

A ficha registra capacidade total de aproximadamente 93,7 bilhões de litros, profundidade máxima de água perto de 51,8 metros e parede chegando a cerca de 58,2 metros acima das fundações.

O comprimento da crista, incluindo os pilonos, passa de 400 metros. A escala ajuda a entender por que inspeção interna e monitoramento da fundação passaram a integrar o projeto.

Uma barragem feita para ser operada e observada

Cordeaux não é apenas uma parede que retém água. Juntas, galerias, válvulas e pontos de medição formam uma infraestrutura que permite observar e controlar a estrutura durante a vida útil.

Essa combinação é o principal avanço técnico legível no conjunto: robustez física acompanhada por recursos de inspeção e operação incorporados à própria barragem.


Conclusão em 1926 e entrada em operação

A Cordeaux Dam foi concluída em 1926, com custo registrado de aproximadamente 945 mil libras. Sua construção fez parte do desenvolvimento do potencial do Upper Nepean Catchment, ampliado por quatro grandes barragens construídas entre 1903 e 1936. Com a conclusão de Avon Dam no ano seguinte, Cordeaux passou a participar de um sistema de reservatórios de grande importância para o abastecimento metropolitano.

Estruturas de apoio e paisagismo

A área da barragem foi organizada com vias de acesso, edifícios operacionais e áreas de permanência. A ficha registra plantios realizados para a abertura da barragem em 1927 e novas árvores plantadas por integrantes do antigo Water Board em 1928. Esses elementos não interferem no funcionamento hidráulico, mas mostram que a obra foi planejada como complexo permanente de operação e visitação, e não apenas como uma parede isolada.