ENERGIA EXTRA
Saneamento

Johnston’s Creek Aqueduct: concreto armado Monier e o coletor de esgoto

O aqueduto de Johnston’s Creek é um exemplo inicial do uso de concreto armado no transporte de esgoto por gravidade, com arcos e condutos integrados à rede.

Levar o coletor por cima do vale

O aqueduto foi construído para manter o esgoto em um percurso por gravidade ao atravessar o vale de Johnston’s Creek. A estrutura sustentava o coletor em nível compatível com a rede e fazia parte do sistema ligado ao emissário oceânico de Bondi.


O sistema Monier de concreto armado

A característica mais importante é o emprego de concreto armado pelo sistema Monier. Na época, a técnica ainda era recente. A combinação de concreto e armadura permitia produzir elementos mais delgados do que soluções tradicionais de alvenaria maciça.

Forma estrutural e repetição de vãos

A travessia é composta por uma sequência de arcos e apoios que acompanha o vale. Essa repetição distribui o peso do aqueduto e do conteúdo do coletor até as fundações.


Uma peça do sistema de saneamento

O valor do aqueduto não está apenas na inovação material. Ele mostra como a rede de esgoto precisou adaptar-se à topografia para manter o fluxo por gravidade.

Conservação e leitura técnica

A ficha registra o aqueduto como elemento raro e representativo das primeiras aplicações de concreto armado em obras de saneamento. A sequência de arcos continua mostrando como uma nova técnica estrutural foi empregada para resolver um problema hidráulico.


A travessia de Hogan Park

Fisicamente, o aqueduto é uma sequência de arcos delgados de concreto armado que sustentam o conduto sobre grandes pilares de concreto maciço. A estrutura atravessa Hogan Park e passa sobre o canal de águas pluviais de Johnston’s Creek.

No lado oeste, a travessia começa próxima à Nelson Street, onde existe um muro de contenção e uma escadaria pública. A linha continua sobre o vale até a extremidade próxima à Taylor Street.

Uma estrutura que se tornou parte da paisagem

A sucessão regular de arcos faz do aqueduto um elemento dominante do parque. Uma figueira madura cresceu próxima a um dos vãos centrais, mostrando como infraestrutura e paisagem passaram a coexistir.


Construção em 1897

O aqueduto foi construído em 1897 como extensão do sistema de esgoto ligado ao Bondi Ocean Outfall. Naquele momento, o concreto armado ainda não era uma solução comum para esse tipo de obra.

O sistema Monier oferecia uma alternativa às grandes estruturas de tijolos e ferro usadas em outras travessias de esgoto. A repetição de arcos mais esbeltos demonstra essa mudança de material e método.

Reparos e revestimento interno

Na década de 1980, o aqueduto foi reparado. Um revestimento plástico foi inserido no interior do canal de esgoto, enquanto os arcos permaneceram estruturalmente estáveis.

Essa intervenção separa duas necessidades: preservar a estrutura de concreto e manter a estanqueidade do conduto. O conjunto continuou cumprindo sua função sem perder a leitura da solução original.


Do projeto em tijolo à solução Monier

O aqueduto foi construído em 1897 como extensão do Bondi Ocean Outfall Sewer, então conhecido como Northern Main Sewer. A travessia precisava conduzir o esgoto dos subúrbios de Balmain, Annandale e Glebe sobre os vales de Johnston’s Creek e White’s Creek. O primeiro projeto, concluído no início de 1895, previa concreto maciço, arcos de tijolo e uma ponte treliçada. Essa solução foi abandonada em favor de um conduto e arcos de concreto armado. O contrato foi concedido em meados de 1896. O projeto é atribuído ao engenheiro W. J. Baltzer, da Sewerage Branch do Department of Public Works. Baltzer trabalhou com a Carter Gummow & Co., empresa que detinha os direitos do sistema Monier e participou da introdução do concreto armado em obras desse tipo.

Dimensões do conduto e dos arcos

O conduto de esgoto tem seção interna em formato de U, com aproximadamente 1 metro por 1,37 metro. Ele é sustentado por uma sequência de arcos de concreto armado apoiados em pilares de concreto maciço. A travessia inclui oito grandes vãos, espaçados em cerca de 25 metros de centro a centro, com vão livre próximo de 23 metros, além de arcos menores na extremidade oriental. O comprimento total chega a aproximadamente 281,6 metros. Na década de 1980, o conduto recebeu um revestimento plástico interno. Os arcos permaneceram em condição estrutural estável, preservando a leitura da solução original.