Um sistema completo entre Lavertys Gap e a casa de força
O conjunto foi concebido pelo engenheiro William Corin para o conselho municipal de Mullumbimby e entrou em operação em meados da década de 1920. A ficha descreve um sistema que começava no açude de Lavertys Gap, seguia por um canal de adução, atravessava um túnel e descia até a casa de força por uma tubulação.
O açude tem cerca de 7 metros de altura. A água seguia por um canal de aproximadamente 440 metros, originalmente em terra e depois substituído por concreto. Em seguida atravessava um túnel de 106,7 metros aberto na sela da colina. Dali, parte da água podia ser destinada ao abastecimento urbano e parte seguia para a usina por uma tubulação de aproximadamente 509 metros, originalmente construída com aduelas de madeira e posteriormente substituída por ferro fundido.
A casa de força e as máquinas preservadas
A casa de força é uma estrutura de madeira revestida com chapas metálicas corrugadas, com aproximadamente 34 por 18 metros. O edifício conserva janelas com venezianas e uma estrutura de aço que sustenta uma ponte rolante de 8 toneladas, usada para movimentar equipamentos pesados.
Duas unidades hidrelétricas GEC
As duas unidades hidrelétricas são formadas por turbinas GEC Pelton idênticas, cada uma com capacidade de 144 kW e controles de regulagem Boving. Os alternadores GEC são trifásicos, com saída de 650 volts a 600 rpm. A ficha registra placas de fabricantes como Boving & Co. Ltd. e The General Electric Co. Ltd..
Geração a diesel e Ruston Lincoln
O complexo também conserva motores de combustão. Entre eles aparecem o antigo Ruston Lincoln de 1926 e quatro motores Mirrlees associados a alternadores GEC, Schorch e Brush. As potências e tensões variavam entre as unidades, mostrando as sucessivas ampliações feitas para responder ao crescimento da demanda.
Ao sul da casa de força permanecem elementos ligados à geração, como exaustões, uma pequena torre de resfriamento e anexos. Também existem fundações de torres de resfriamento que foram removidas.
Da primeira iluminação à expansão do sistema
A construção do açude começou em 1924 e o túnel foi concluído em dezembro de 1925. No mesmo mês, o sistema forneceu eletricidade pela primeira vez à cidade. A geração oficial começou em março de 1926.
“A excitação tomou conta de Mullumbimby [...] quando a luz elétrica do esquema hidrelétrico foi ligada pela primeira vez.”
O conjunto inicial logo precisou de apoio. Um motor de óleo cru Ruston Lincoln foi acrescentado em 1926. Em 1934 entrou um motor Mirrlees de alta rotação e, em 1938, a estação passou a ter interligação com a rede do Clarence River County Council. Novas unidades a diesel foram instaladas em 1941, 1949 e 1952.
Um complexo preservado com ferramentas e equipamentos
A ficha registra ainda uma coleção móvel ligada ao uso industrial do local: ferramentas para turbina, pirômetros para temperatura dos gases de escape, peças de válvulas, bancadas de madeira, talhas, transformadores, testador de relés, peças sobressalentes e o painel de controle dos motores.
A estação foi desativada em 1990. Mesmo assim, as duas turbinas Pelton originais, os motores a diesel e parte importante dos equipamentos permaneceram dentro do contexto em que trabalharam. É essa combinação — açude, adução, tubulação, geração hidráulica, geração térmica e maquinário original — que torna o complexo tecnicamente tão legível.
Como o conjunto foi ampliado sem abandonar a parte hidráulica
O esquema municipal nasceu com a intenção de aproveitar o mesmo recurso de água para duas funções: abastecimento e geração. Essa dupla utilização aparece fisicamente no ponto em que a água deixa o canal e pode seguir tanto para o sistema urbano quanto para a casa de força.
À medida que a procura por eletricidade cresceu, a parte hidrelétrica deixou de ser suficiente sozinha. A resposta não foi abandonar o esquema, mas acrescentar motores de combustão. O Ruston Lincoln de 1926 foi seguido por unidades Mirrlees em diferentes datas. Em 1938, a interligação com a rede do Clarence River County Council ampliou ainda mais as possibilidades de fornecimento.
Capacidades preservadas no interior
A ficha registra quatro conjuntos Mirrlees com alternadores de fabricantes diferentes e tensões que variam de 400 a 11.500 volts. Um dos motores de sete cilindros está associado a alternador GEC de 937 kVA; outro conjunto de oito cilindros usa alternador Brush de 1.150 kVA. Essa variedade mostra que a casa de força foi recebendo equipamentos conforme novas necessidades surgiam.
Por volta de 1958, a capacidade instalada total do complexo chegava a aproximadamente 3.154 kW, com produção anual da ordem de 14 milhões de kWh. A estação continuou operando por décadas antes de ser retirada de serviço.
O edifício também conta a história da manutenção
A ponte rolante de 8 toneladas, as bancadas, as talhas, os ganchos para correntes e cabos, as ferramentas de turbina e os estoques de peças mostram que a manutenção pesada era realizada no próprio local. O mezanino servia ao armazenamento e o grande portão permitia movimentar componentes de maior porte.
Alguns controles e equipamentos de manobra elétrica parecem datar das décadas de 1950 e 1960. O sítio também recebeu uma subestação mais recente e novos galpões, enquanto a subestação original, duas torres de resfriamento, dois galpões e uma casa de madeira foram removidos.
Uma instalação que permaneceu tecnicamente legível
A importância do complexo está em conservar elementos das diferentes fases no mesmo lugar. O visitante ainda consegue relacionar Lavertys Gap ao canal, o canal ao túnel, o túnel à tubulação e a tubulação às Pelton dentro da casa de força. Ao lado delas, os motores de combustão documentam a solução adotada quando a geração hidráulica isolada deixou de atender toda a demanda.